segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Ele põe fogo no piano
O ROCK pode ser a terra dos guitar heroes. Mas existe por lá um herói do piano: Jerry Lee Lewis. Foi ele quem pôs fogo no instrumento - muitas vezes, literalmente - para ajudar a fundar o rock nos anos 50. The Killer (O Matador) é assim chamado pela forma como demole o piano em palco, com arpejos inesperados, piruetas, voz potente e hits como "Great balls of fire", de 1957. E aprontou todas, de escândalos sexuais a drogas e ácool. Aos 73 anos, menos rebelde, Lewis faz uma turnê pelo Brasil com o show THE LAST MAN STANDING. Lewis se exibiu no país em 1993 - um ano que ele chama de difícil. "Hoje sou mais feliz que naquele tempo" dis Lewis. "Volto agora para levar alguns clássicos do rock e me divertir ainda mais com todoas vocês".
Acompanhe agora a entrevista de Lewis na revista Época:
"Sou oúltimo roqueiro"
O músico conta a receita de seu estilo de tocar e cantar e como foi atuar como pioneiro ed rock-and-roll em 1950
ÉPOCA - qual é o segredo de seu estilo de tocar piano?
Jerry Lee Lewis- Aprendi tudo numa visita que me fez meu primo mais velho, Carl McVoy. Ele era pianista e me revelou os segredos dos estilos do boogie-woogie que ele ouviu pelo rádio. Além disso, a partir das músicas tocadas do Haney's Big House (bar de música negra de Ferriday, Lousiana, cidade natal de Lewis) misturei tudo com gospel e country e comecei a formular meu estilo. Misturei outros gêneros no cominho, sincopando ritmos no piano: com a mãe esquerda geralmente me encarrego dos ritmos sólidos de rock e boogie-woogie; com a direita toco as notas mais altas com filigramas incandecentes e exibicionismo. Partes iguais de fervor gospel e exuberância de palco de Liberace... é o segredo! (risos)
ÉPOCA - O que você pensa que vai perdurar em seu trabalho?
Lewis- Meu trabalho foi ter ajudado a criar o rock-and-roll, em 1950. Tenho mais de 50 anos de carreira e mais de 50 discos lançados. E influenciei muita gente, como a turma do rockabilly. Sou o último roqueiro original. o último homem em pé! (título de seu show). Meus albúns vão permanecer pela eternidade, influenciando as novas gerações. É o máximo, não?
ÉPOCA - É, sim, até porque o rock está sofrendo decadência. O rock não pode
acabar?
Lewis- Não, o rock-and-roll é eterno. Se ele tem resistido por tempo tão longo às modas, por que terminaria da noite para o dia? Há sempre caras tentando coisas novas. Eu falei do rockabilly do meu tempo, e hoje o rockabilly está tão forte.
ÉPOCA - Você tem algum seguidor na cena rockabilly?
Lewis- Não, não vejo ninguem tocando piano como eu (risos). Me dê um piano e em 15 minutos, e você vai sacudir, gritar, se arrepiar e ferver!
ÉPOCA - Videogames como Rock Hero popularizam o rock? Você ferveria com um jogo desses, algo como "Piano hero"?
Lewis- Sou um pouquinho velho para isso! (risos) Mas eu penso que jogar videogame com música é algo muito válido. Os games podem despertar o interesse das crianças por instrumentos reais, e assim pode nascer uma paixão pela música.
ÉPOCA - Em sua opinião, os músicas de hip-hop e rap têm qualidade?
Lewis- Esses artistas vendem muito e fazem o marcado continuar vivo. Mas não é meu tipo de música. Sou da velha guarda, sabe?
ÉPOCA - Qual o tipo de música que você gosta de ouvir?
Lewis- Adoro ouvir e cantar country. Hank Williams (cantor country) foi grande e me influenciou, como o boogie-woogie, o blues, tudo junto. ÉPOCA - Qual é o significado de música para você?
Lewis- Música é magia. É uma sensação fantática, e me sinto abençoado em enviar essa energia às pessoas. Não há uma fórmula secreta, tudo é diversão, eu coloco meus dedos no piano, começo a cantar e, quando vejo, a casa vem abaixo! (risos)

Nenhum comentário:

Postar um comentário